segunda-feira, 26 de julho de 2010

"Um aventureiro, um imbecil"


"Após breve passagem pelo Sanatório Taittinger, em Campos do Jordão, Osmar Tirelli Neto (sic) anuncia grande retorno à blogosfera & muitas confusões."

Actualizem aí os carnês: www.oamigosolteiro.wordpress.com

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

De Saída




Então, tenho o oficioso gesto de fechar esse caderno aqui, encerrar a temporada e dar recado duma materioteca de pelo menos 10 meses, sobre a qual preciso me debruçar agora com mais seriedade (alguma seriedade). Não é bem a estaca zero, tampouco recomeço, são – como disse – apenas gestos oficiosos que temos no sentido – bom, no sentido de forçar sentido à passagem do tempo.

Aviso aos leitores que meu atual estado é de desemprego extático. Basta não desesperar por um, talvez dois meses. Levar uma vida frugal, passear bastante e com os pés, sentar em parques onde ainda se possa fumar, acompanhado dos livros que não li em 2009 por puro desgosto de viver e duma térmica cheia de café que certamente apelidarei Térmica. Aviso aos leitores que cortei os cabelos e reduzi a barba ao mínimo criativo, e que sagrei 2010 o Ano Internacional da Camiseta Agarradinha (meu nariz persiste na vermelhidão, no entanto). E que levo adiante – ainda – a mesma quest por comprometimento e coração que norteou todo o meu trabalho literário (!) até o presente momento, muito embora tenha passado o grosso de 2009 preso pelas vergonhas lá no outro lado, incomunicante e sem muita idéia de como me locomover (bêbado).

A idéia é comprar um caderno novo, operação que me parece muito séria. A capa preta, as canetas, e toda essa mística-para-lugar-algum que me faz pensar no Paul Auster enquanto vou demorando a despedida. Não sentirei falta de nada, porque sempre trato de me cansar bastante.

Planejo um hiato declarado de mês, mês e meio, depois volto e mostro o que tenho feito, porque terei feito alguma coisa (espero). Andei relendo os poemas do “Ramerrão” (próximo livro) e já não gosto de quase nada. Quero começar a escrever sem tanto compromisso (lembrando sempre, comprometimento não tem coisa alguma que ver com compromisso), minimizar o sentido oficial, e trabalhar a própria soltura dos cadernos. Até no Twitter as pessoas tem me soado obrigadas, terrivelmente obrigadas a fazer senso, o que me leva a crer que estamos todos muito mais próximos da histeria do bon mot do que havíamos imaginado (isso, como se sabe, é um dos sinais mais incontornáveis de que o fim dos tempos se avizinha).

Então, às afluentes, para quem quiser ter alguma notícia minha. Tem aquele Formspring fajuto, onde você pode me perguntar coisas, se essa for, por assim dizer, a sua. Tem também o Tarnished Angels, o “flogão demente” de retrozices que atualizo em parceria com os luminares do humor fluminense Juliana Fausto, Rafael “James” Monte e Isabela Mota. E tem meu Tumblr, que eu levo menos nas coxas justamente por me parecer tão afim a um caderno de colagens, desses que os jovenzinhos criativos pompeiam por aí, coisa que nunca consegui realmente ter porque não sou vocacionado para as artes manuais (tenho relações conflituosas com cola). Sem falar que o Tumblr é uma senhora plataforma, a única que me entusiasmou de verdade em 2010 (não fosse a melindrância crônica eu congregava tudo por lá mesmo).

No mais, devo dizer que o final de 2009 esteve cheio de coisas interessantes, e tenho muito orgulho de ter contribuído para projetos bacanas como a Bliss, a Modo de Usar e Co., o Jornal Plástico Bolha, o blog da Butt Magazine, o Jornal Vaia e a coleção Compacto Simples, ideada pelo amigo Dimitri BR. Agradeço também a atenção e a generosidade de Eduardo Coelho, Marcos Visnadi, Heloísa Buarque de Hollanda, Marília Garcia, Mariano Marovatto, Leonardo Gandolfi, Daniel Jablonski, Caio Carmacho, Victoria Saramago e todas as pessoas que demonstraram algum interesse pelo que tenho produzido desde o Synchronoscopio.

Por sinal, para você que acabou de chegar (e o boteco quase fechando), meu nome é Ismar Tirelli Neto. É importante fazer alguma atenção no Neto, sem ele, torno-me meu avô materno. Sou carioca, tenho 24 anos de idade e lancei – em agosto de 2008 – um livro chamado Synchronoscopio. São poemas, por sinal.


domingo, 29 de novembro de 2009

Volta


me vem como um andaime caindo que levo enfim as mãos vazias contra o céu & os azuis esbatidos & intentíssimo em escrever um outro tempo

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Bliss



Prestigiem, sim? Não poderei comparecer por conta do meu emprego tolo e devorador-de-almas -- sim, eu seu que vocês estão lendo isso; não, eu não me importo mais -- mas os meninos são bem sérios e criteriosos, e a revista deve estar bonita até não mais.


domingo, 11 de outubro de 2009

Largo


XXXXXXX-- Como eu não cumprisse outra coisa que não constrangê-los a minha

XXXXXXXXXXXXXXX imagem & semelhança

XXXXXXXLumicolor nos espaços entre: eu, você
XXXXXXXXXXX& Deus: onde já se viu

XXXXXXXX À frente, a saída do metrô;

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX o enésimo advento.

XXXXXXXXXXXXXX Pensando em assemblages, instâncias
XXXXXXXXXXonde todas as identidades juntas, permanecidas
XXXXXXXXXXXXsem fusão,

XXXXXXXXXXXXXXXXXXrecuperar tudo. Mesmo as afetações.

XXX(amor) as alusões bíblicas são muito aborrecidas.


XXXXXXXXXMas todos os atos de maior fôlego
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXme conduzem sem remédio a Deus

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Iodo


os grampos, as canetas como prumos

o carrossel útil

XXXXXXXo branco

a bancada é, antes
de percorrer, uma extensão

de madeira vulga
e sem absurdo;

por iodo, meu peito
presumo

que seja meu peito, presumo
que seja uma cifra

a tudo quanto folga
lá de fora

sábado, 26 de setembro de 2009

A felicidade dos outros


você a toma surdamente

o cristalino dos olhos não faz
nada por sua força

em março ele não amou
nada que te acorresse à boca

em março nenhuma
aspiração tátil

você pensou como pesava
a seca de estrelas

fins de julho uma febre
que não oficinou coisa alguma

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Caderno 37


um dia, pretendo descrever esse quarto.
Quero percorrê-lo com uma fita métrica.
Tirar-lhe as medidas, como a uma Miss.
Pretendo angular bem os objetos. Ou melhor,
falar de sua disposição, entendê-los angularmente.

Que lugar ocupam neste espaço
(Miss), um em relação ao outro.

Hoje em dia, acho esse tipo de descrição enfadante.
Mas pretendo mudar de idéia. Em bom tempo.

domingo, 20 de setembro de 2009

Duas Notas Detrás De Canções


1. Vedrai Vedrai

direi ao menino lento
que não arpoa muito
bem a música
nos chegar em ondas

: certas melodias
parecem
de fato
ondear
especialmente
quando atacadas
dum órgão
velhossonante

agora
não espero mais
a justiça na água

2. Loss of Love

storm
and wind
and tide,

fiz petição de tudo

mas quando o garçom
tirou a conta
do coldre

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Hoje


Hoje o "Synchronoscopio" faz um ano de idade, e tem inédito meu no blog da genial Butt Magazine.

Então, está tudo oquêi.


Faxinamos a Casa


domingo. Faxinamos a casa,
levando o mais bojudo dum dia
margarina. Não foi decisão consciente.
Não, deve ter sido. Nós
faxinamos a casa. O tempo inteiro
recapitulando
amantes distantes. Amantes
mudam-se em terra enquanto
os recapitulamos. Amantes a despeito
de si próprios feitos Terras Amantes,
esmagados ao longo do horizonte, longe. Finas linhas
canetadas para que pudessem dormir. O sol se põe
detrás de amantes feitos Gigantes Puídos, cochilando.
E então aquela infame linha bamba do Equador, incontinenti
visível. Corusca. E amantes
mudam-se em grandes bocados de terra e
fios a uma distância discreta

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Convidado Inviável


"A nítida sensação de que eu pairava sobre aquilo tudo. Desdobrado em evoluções incríveis (mesmo que imperfeitas) e apartes espirituosos. Perfeito domínio do palanque. Coisas que a gente vai perdendo em ganhar vergonha na cara. Trata-se duma vida dupla, afinal. E agora a vontade de união – de levar uma vida minimamente conjugada – começa a repontar, faz com que os olhos passem raspando e se preguem no chão felpudo. Bolino com o microfone à frente; sempre o mau-contato. Uma matilha de jovens não-empresariados. Falando verdade, uma matilha de jovens não-empresariados emblema bem pouco no grande esquema das coisas. Mas há um agravante (como se isso tudo já não bastasse). Mesmo em piloto-automático, eles têm extensões visíveis. Instrumentos, algo que mostrar. São teclas, cordas, tum-tuns. Objetos. De repente estou muito sozinho com meu instrumento embutido, tanjo tão mal esse bicho, não consigo integrá-lo. Torná-lo parte desse desenho teso e bem-amarrado. Minha voz é um convidado inviável, subido do inferno para avacalhar com um civilizado debate acerca dos rumos do pop. Não suporto mais sua evidência."

(trecho de "Por que não sou músico", texto que estou terminando de jambrar para um projeto colectivo bem bacana sobre o qual falarei mais em seguida. Bem como outras tantas novidades.)

terça-feira, 7 de julho de 2009

As Cantigas Que Eu Ouço No Escritório, 3





"I don't know what I should be looking at
But I will look wherever I'm told

BITTE ORCA ORCA BITTE"

domingo, 5 de julho de 2009

autônomo


não tenho os papéis. Como profissional autônomo,
é dever manter-me aberto e espacioso
entre os quatro tubarões desta espera. Que decidam minha vida:
por exemplo, uma transferência
(haja vista o placar em que se corre)
parecia-lhes fora de questão. Ao fim e ao cabo.
Oferecem-me o último turno. E aceito,
não me sinto tão à mercê. Faz três
madrugadas neste escritório branco
tenho medo pela primeira vez;
a estridência branca das luzes
& os canos que continuam teto fora. Não tenho
os belos chamamentos para fixar
coisa alguma. Será com esta mesma impaciência.
Tanto ódio haverá constelando
dentro de mim que me permitirei o trato
com as mais velhas imagens. Aquela sombra,
por exemplo, fará metástase.
Será com este mesmo inverno.
Tomarei vistas do céu quando
de alguma alva burra
à roda de todas as fitas em Preto e Branco
carceradas nas tevês da cidade; tanto ódio
haverá. A cidade – ao fim e ao cabo – a mesma.
Pretenderei a ela e quando tornar
à razão de meus amigos mais modelares
direi que o amor e o trabalho me renderam,
que nunca jogarei bombas na fachada do Ministério da Saúde,
que não encontro mais porquê em tantos die-ins.
Continuarei mentindo para os médicos
e adiando as segundas vias

sábado, 4 de julho de 2009

a cidade



para o Jablonski e para o Lesage

debussy é a cidade. está em movimento. uma série de deflagrações na forma. não dá em parte alguma. uma série de deflagrações na forma, não passam sem a forma. não abdicam da forma (monarca convulso), a forma se agüenta. não sei que mistério. que nem a cidade. uma série de deflagrações na forma, mas a forma (mas o trono) vai se agüentando, a forma vai se agüentando. não sei que mistério. é bonito, se move, não dá em parte alguma. debussy é que nem a cidade

terça-feira, 30 de junho de 2009

Fetiche


esta é a parte em que nada acontece. Tudo isto em tempo real

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Os Perigos da Juventude


I.

agora meu filho
tua juba
faz volutas
pateias
principesco savana
fora – já

II.

é tempo de decidir

III.

(afinal) quando fores
grande, o que queres

IV.

ser

V.

cosmonauta
ou bandleader?