quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Deu no Ibrahim



O amigo Felipe Sholl foi a cocada da Berninale, arrebatando o cobiçado Teddy e mais três mil merréuros por seu curta-metragem “Tá”, rodado integralmente no banheiro da ECO (UFRJ). Aqui os parabéns bem atrasados a esse ilustre expoente da turma do funil que fez a cabeça dos chucrutes, acompanhado dum beijo casto no coração.

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Ciça Giannetti está com parangolé marcado para o dia 27 lá no Pista 3 (São João Batista, 14) – a festa se chama “Hey Ladies!”, e será a primeira empreitada do Grupo Matriz direcionada ao público GLS, que também curte outros tipos de som que não bate-estaca, funk, tuntchituntchi e análogos. Vai dar o que falar, disso damos fé.

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Já dia 29, quem pode faz a ponte-aérea e confere em Sampa a estréia de “Aos Ossos Que Tanto Doem No Inverno”, peça do poeta Sergio Mello. Infelizmente não poderei comparecer porque, como é bem sabido, sou um falido. Mas quem estiver por lá que fique esperto.

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Daqui a pouco a febre do MinC passa. E a próxima peste, qual será?

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Paulão, cadê os “Balé” tudo que tu prometeu? O público é voraz. (Saudades idem, porra).

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Abraço grandão na Maria do mellonspirals.blogspot.com, que me enviou o email mais fofo do mundo há dias atrás e eu ainda não tive tempo de responder. Dessas coisas que a gente lê e pensa: pois é, vale a pena seguir escrevendo. Mas aguarde resposta direita pra breve, é promessa.

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Tiago Santos Lima arrasando como sempre. Leiam esse sujeito, pra ontem.

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E pra fechar: eu, Lilica e mais uma pá de gente recitando no FestiVaia nesse sábado, dia 23. Isso será na Baratos da Ribeiro, dos sebos mais bacanas da cidade (Barata Ribeiro, 354, Loja D), a partir das 16:00. A entrada é 0-800, o lugar é ótimo, e depois a gente toma umas e outras e fala da vida, combinado? (Passarinho contou que o Paulo H. Britto talvez apareça. Vou precisar de apoio moral. Muito.)

Obituário





Robbe-Grillet morreu. Que nem o romance.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Suspensão


te escrevo do domingo
em que virei balão
(segundo as escrituras
não tem dia melhor)

zarpo da Voluntários
e vou subindo ao meio do mundo
que é onde me aboleto
e espero a montanha passar

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Arquitextura


I.

Herr Heidegger constrói um chalé
para o Ser
em Todtnauberg, às franjas
da Floresta Negra

uma plaqueta encima a porta principal
vai lá escrito: Linguagem

hoje virou museu
franqueado à visitação pública seis dias
por semana (às segundas fecha pra limpeza)

II.

questões acerca da morada do Ser:
quantos andares?
quantos cômodos?
tem água encanada?
aquecimento central?
o pé-direito, quanto mede?

III.

casa é maquete do mundo, casa é o reticulado
absurdo do mundo todo
espremido tentando caber na avenida, casa é o mundo
que se explica, ensaio geral do que vai lá fora
na avenida nada tem o seu lugar

sermos debaixo
do cálculo desse teto
e da desrazão do céu
(o direito ao cálculo desse teto
e à desrazão do céu, há que defendê-lo
unhas e dentes)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Marcinha


Marcinha foi a única do grupo que não se casou. Véu, vestido, grinalda, comunhão de bens; veja, não tem porquê. Marcinha abominava o ritual. Mania estúpida que as pessoas têm de ritualizar qualquer coisa, ela dizia. Vivia dizendo, a Marcinha: vocês (a civilização ocidental) ritualizam até ida à farmácia. Merda de mania estúpida. Marcinha sonhava uma nova leva de homens esplêndidos que nada ritualizariam, indo pela vida fora com o visco e a serenidade do atum, sem nenhuma necessidade de italicizar as coisas da vida. O rito de passagem perderia finalmente seu estatuto, existir em si seria passagem, nunca a ansiedade do que foi, do que é, do que virá (viria) a ser. A palavra “devir”, carreada pela voz de Marcinha, ganhava profundezas e cores que nós, as outras, não conhecíamos; a palavra escancarada à nossa frente tal e qual o céu de janeiro, e tudo a um só tempo muito sério, duma seriedade terrível, estúpida, esmagadora. Marcinha dizia com freqüência: não sei por que diabos estou fazendo Comunicação Social, o lance mesmo é virar monja.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Dorsal


"O universo é infinito e as pessoas não prestam".
(Antonio Sobral)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Xícaras


vou passar minha vida inteira
quebrando xícaras

sem saber o que fazer
de pés e mãos
quando dizem
a casa é sua

vou passar minha vida inteira