segunda-feira, 17 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Hoje


Hoje o "Synchronoscopio" faz um ano de idade, e tem inédito meu no blog da genial Butt Magazine.

Então, está tudo oquêi.


Faxinamos a Casa


domingo. Faxinamos a casa,
levando o mais bojudo dum dia
margarina. Não foi decisão consciente.
Não, deve ter sido. Nós
faxinamos a casa. O tempo inteiro
recapitulando
amantes distantes. Amantes
mudam-se em terra enquanto
os recapitulamos. Amantes a despeito
de si próprios feitos Terras Amantes,
esmagados ao longo do horizonte, longe. Finas linhas
canetadas para que pudessem dormir. O sol se põe
detrás de amantes feitos Gigantes Puídos, cochilando.
E então aquela infame linha bamba do Equador, incontinenti
visível. Corusca. E amantes
mudam-se em grandes bocados de terra e
fios a uma distância discreta

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Convidado Inviável


"A nítida sensação de que eu pairava sobre aquilo tudo. Desdobrado em evoluções incríveis (mesmo que imperfeitas) e apartes espirituosos. Perfeito domínio do palanque. Coisas que a gente vai perdendo em ganhar vergonha na cara. Trata-se duma vida dupla, afinal. E agora a vontade de união – de levar uma vida minimamente conjugada – começa a repontar, faz com que os olhos passem raspando e se preguem no chão felpudo. Bolino com o microfone à frente; sempre o mau-contato. Uma matilha de jovens não-empresariados. Falando verdade, uma matilha de jovens não-empresariados emblema bem pouco no grande esquema das coisas. Mas há um agravante (como se isso tudo já não bastasse). Mesmo em piloto-automático, eles têm extensões visíveis. Instrumentos, algo que mostrar. São teclas, cordas, tum-tuns. Objetos. De repente estou muito sozinho com meu instrumento embutido, tanjo tão mal esse bicho, não consigo integrá-lo. Torná-lo parte desse desenho teso e bem-amarrado. Minha voz é um convidado inviável, subido do inferno para avacalhar com um civilizado debate acerca dos rumos do pop. Não suporto mais sua evidência."

(trecho de "Por que não sou músico", texto que estou terminando de jambrar para um projeto colectivo bem bacana sobre o qual falarei mais em seguida. Bem como outras tantas novidades.)

terça-feira, 7 de julho de 2009

As Cantigas Que Eu Ouço No Escritório, 3





"I don't know what I should be looking at
But I will look wherever I'm told

BITTE ORCA ORCA BITTE"

domingo, 5 de julho de 2009

autônomo


não tenho os papéis. Como profissional autônomo,
é dever manter-me aberto e espacioso
entre os quatro tubarões desta espera. Que decidam minha vida:
por exemplo, uma transferência
(haja vista o placar em que se corre)
parecia-lhes fora de questão. Ao fim e ao cabo.
Oferecem-me o último turno. E aceito,
não me sinto tão à mercê. Faz três
madrugadas neste escritório branco
tenho medo pela primeira vez;
a estridência branca das luzes
& os canos que continuam teto fora. Não tenho
os belos chamamentos para fixar
coisa alguma. Será com esta mesma impaciência.
Tanto ódio haverá constelando
dentro de mim que me permitirei o trato
com as mais velhas imagens. Aquela sombra,
por exemplo, fará metástase.
Será com este mesmo inverno.
Tomarei vistas do céu quando
de alguma alva burra
à roda de todas as fitas em Preto e Branco
carceradas nas tevês da cidade; tanto ódio
haverá. A cidade – ao fim e ao cabo – a mesma.
Pretenderei a ela e quando tornar
à razão de meus amigos mais modelares
direi que o amor e o trabalho me renderam,
que nunca jogarei bombas na fachada do Ministério da Saúde,
que não encontro mais porquê em tantos die-ins.
Continuarei mentindo para os médicos
e adiando as segundas vias