segunda-feira, 12 de maio de 2008

Tempo Sobre Tela


Faz frinchas no branco
(seteiras?) suspeito a planta
de uma canção. Será minha?
Por que – afinal – ser minha?
Por que minha canção não ser
do outro? O tempo
é todo mundo. O que me digo.
A todo tempo. A porcelana
endurece e vinca. Isso já não muda.
Isso já não muda mais – apesar de tudo – não é pra sempre.
Isso tem fim, que há tempos ninguém noticia
a eternidade. Eu já nem sei como se diz

eternidade. Eu já nem sei desse cuidado.
Falar eternidade como quem fala
outro qualquer vazio. Ata da erosão.
Almanaque de tudo que se sumiu. Será
uma canção? Será vento? Será bem pouco?
Isto é, que a vida das gentes (penso), vez por outra,
se deixa infiltrar; racha; contrai-se
a si mesma; a porcelana endurece e vinca. Mas
desesperamos? A mim não me parece
que desesperamos. A mim não me parece. Talvez
nos falte até mesmo o instrumental do desespero.

Tempo sobre tela, tem quem ache
que o que vai lá é manifesto. A mim não
me parece. A mim não me parece
que seja manifesto. Qual o teu credo?
Envelhecer? A mim não me parece.
Quanto de audácia para fazer
a pergunta mais simples. O que
significam esse caracteres
postos juntos? Que mensagem?
Não há mensagem. Talvez não tenha
mesmo mensagem. Troco de mantra
anualmente. Esse é o poema
das coisas que acontecem das coisas
que aconteceram.

2 comentários:

Rafael Vaz disse...

Poema do Eterno Movimento.

LM disse...

Lembro que cheguei a ler um ou dois posts dum blog antigo teu - "Pierrot Enlouquece, A hora e a vez de Ismar Tirelli Neto". Não lembro dos posts, mas nunca esqueci esse título. Lembro que na época um amigo meu chamado Loui gostou, também.

Não sei direito, alguém entrou no meu blog e o contador de visitas fotografou-lhe o endereço; e esse alguém tinha o teu link em seu blog. Achei uma coincidência incrível. Muito bom.

Li os arquivos de Março e Fevereiro, poemas interessantes.

Linkar-te-ei! Adeus!