sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Helder

Isso é bonito, é do Herberto Helder:

"Era tudo uma máquina com as letras
lá dentro. E eu vinha cantando
com a minha paisagem negra pela neve.
E isso não acabava nunca mais pelo tempo
fora. Começo a lembrar-me.
Esqueci-te as barbatanas, teus olhos
de peixe, tua coluna
vertebral de peixe, tuas escamas. E vinha
cantando na neve que nunca mais
acabava."

Ele imaginava a mãe um imenso atum negro.

Já a minha, é um faisão. Imenso também.
Mas rosa-choque.

Um comentário:

Nome de quem? disse...

Já percebeu que os dias de sol tiram toda atenção de uma certa cor? Ah, aquela cor que só pode ser admirada nos dias nublados. A maioria da humanidade não gosta dela, nem de dias nublados. Mas sua beleza é inefável. O atum preto e a neve branca devem ser a mistura ideal para o cinza. Adoro dias de chuva.