segunda-feira, 21 de abril de 2008

Geórgia


Uma precisão, mais ou menos, que fizesse prevalecer o sentimento, que não estivesse num disco, nem num livro, mas em mim, só em mim, que eu não precisasse sair de mim para buscar. Bobagem, também não é isso. Nem é só ver, minutar, descrever, até porque nisso sou um desastre. Sonho também não é. Mas é o que mais se aproxima do “modos operandi”. Pesadelo, isso sim, isso sim é exato, definitivo. Eu existo um longo pesadelo sem clarividência, sem nada, nada eivada de ventos sinistros nem dragões nem vampiros, ora, nada, absolutamente nada, é como se fosse um dia qualquer, mas é pesadelo, porque eu sei que é pesadelo. Prosaico, cinza. Caracterizado apenas por uma vontade louca muito lúcida de acordar. De vir à tona. De dizer: bom dia, amor, quer café?
(do conto "A Desatenção")

Um comentário:

Sergim disse...

Vai escrever bem assim lá na ...



Benatti!