segunda-feira, 1 de outubro de 2007

No Que Não Pensar Agora


Da primeira vez que saí da sua casa eu estava tão feliz sabe eu tomei um picolé de limão. Dois anos mais tarde eu saí da sua casa de novo e eu estava em êxtase, então comprei uma cerveja e quando um sujeito me pediu um cigarro na rua fiz questão de oferecer logo dois, dadivando: pra viagem. Pra que ninguém veja, não estou pensando nessas coisas agora, vou tirar o prato de cima do abajur e pendurar um quadro, tomar nojo da camisa embolada no canto do quarto há dias e esvaziar o cinzeiro e vamos, tentar pensar em outra coisa, sim, tente se concentrar, é o que se prescreve, vou martelar um prego às três da manhã, encharcar o corpo de suor e me sentir apocaliticamente viril, vou acordar a porra do prédio inteiro, vou me concentrar em acordar a porra do prédio inteiro, porque eu não estou pensando nessas coisas agora e é preciso que todos saibam.

Um comentário:

nome de quem? disse...

O tempo é algo curioso mesmo, principalmente pelo instinto de singularidade que ele nos instiga a questionar. O que será que irá fazer quando se sentir assim de novo, só que daqui a dois anos futuramente?
E essa virilidade, lerei de novo esse texto ao anoitecer no quarto.